Claustrofobia


Estou presa sem ver onde estou. Meus passos são pequenos. Medrosos. Não posso fazer barulho. Não posso correr. Não posso voar.
Olho pela janela, e já não vejo. Não vejo meus olhos. Não vejo meu chão.
Quero sair de onde estou, quero correr.
Essa janela escurece à noite. Me deixa o breu da solidão. Ela me fecha, ela me prende.
Essas portas escancaradas, se fecham.
Claustrofobia.
Esse lugar parece me fechar. Parece me prender.
Ainda não sei como fugir. Preciso. Necessito. Não consigo.
Quero que a noite chegue clara. Quero que a lua me ilumine. Mas aqui ela não alcança.
E quando chega o sol. Ele me clareia, de forma brutal.
Preciso sair daqui.
Preciso correr daqui.
Preciso voar daqui.

Vício


São Paulo é uma cidade louca. Divida entre correria e calmaria. É uma cidade que te consome, quer você queira ou não. São Paulo não pergunta se pode. Faz da sua vida correria, faz da sua vida loucura. E você não consegue sair disso.

São Paulo vicia. Não escolhe raça, cor, credo, religião. Te engole e te faz querer mais e mais São Paulo.

É exatamente vício. Te faz bem por um tempo, depois começa a te consumir. E você não consegue mais fugir. Se fica longe, dá abstinência. Teu corpo pede pela, loucura de São Paulo.

historia.



Demorei um tempo pra assimilar. Demorei um tempo pra entender que tô melhor sem você. Aí você reaparece, com a cara lavada, achando que serei sua melhor amiga? Que voltarei a ser seu caso? Desculpa. mas eu tô melhor sem você.

Hoje eu me olho no espelho, e me sinto linda. Hoje eu pinto meu cabelo, eu coloco meus piercings, eu faço minhas tatuagens sem pensar se você vai gostar ou não.

Ontem você me mandou mensagem. Juro que fiquei tentada a responder com carinhos e amores. Mas baby, foi olhar pro meu lado, pra quem estava comigo, e perceber: sua hora passou. Talvez agora você tenha percebido que eu valho, ou talvez só quisesse matar as saudades. Querido, é tarde para isso.

Hoje eu sou feliz. Hoje eu estou feliz todos os dias. E, é até bom perceber, você não faz parte disso.

Obrigada por ter ido. Obrigada por ter passado e me ensinado muito.

Te amei muito. Hoje você é passado. História que foi. História que com altos e baixos. Mas apenas história.

Nós não somos amigos. Nós não conseguimos ser amigos. Somos apenas história na vida um do outro.

ti

Foto: Gal Oppido

Minha vida ta pedindo tua mão. Meu corpo ta pedindo teu sim. Meu ser está clamando pelo nosso ser.
Pelo nosso ser mais, pelo nosso ser nós. Meu ser clama por sermos um. Clama por sermos chama,
clama para sermos mais que chama. Clama para sermos mais que eternos. Para sermos mais ternos.
Meu sangue quer correr nas tuas veias. Meu pensamento quer fazer do teu abrigo. Meu pensamento quer ser do teu abrigo.
Quero manter-me em ti. mais do que em mim. Quero ser em ti, muito mais do que em mim. Porque quero viver em ti.
Ser sorrisos, ser amores. ser um. e reconhecer-se como um. natural. simples. unificado. ser amor mais do que a si mesmo. Ser essência em ti. Ser essencial em ti.

Sobre abraços.

Sou colecionadora de abraços. De amigos, de amores, de família. De quem acabo de conhecer e de quem já conheço a tempos. O abraço diz muito sobre o ser. Se teu abraço se encaixa ao meu, é o teu pedaço se encaixando comigo.

Gosto de abraço demorado, abraço aconchegante. Abraço de reencontro. Gosto daquele abraço que te diz: eu sabia que você viria. Aquele abraço que já te conhece. Que tem o timing perfeito. Aquele abraço que aquece.

Gosto também do abraço novo. Aquele primeiro abraço do conhecimento. Aquele abraço que te diz exatamente como vai ser sei relacionamento.

Gosto de abraços depois do olhar. Aquele em que você vê a pessoa vindo de longe, e depois do olhar fixo, vem o abraço.

Gosto de abraços porque não existe abraço falso. É corpo com corpo, coração com coração. Chacra com chacra.

Abraço e demonstração de afeto disfarçada de cumprimento

Obsessão Infinita - Yayoi Kusama

Quinta-feira, quarto dia de férias, resolvi que ia fazer algo em sampa, e fui ver a exposição  "Obsessão infinita" da Yayoi Kusama, no Instituto Tomie Ohtake.


Yayoi é uma das mais importantes artistas pop do japão , e eu ouso dizer, da atualidade. É conhecida como princesa das bolinhas. Suas obras refletem sua patologia, foi diagnosticada esquizofrênica muito cedo, e o TOC é presença certa em suas obras. São repetições e padrões que deixam sua obra diferente a apaixonante.


" — De uma maneira muito clara, e muito pura, ela encarna o mito do poeta doente; da ideia de que o artista faz o seu trabalho a partir do sofrimento e do trauma. A linha entre sua vida e sua arte é muito fluida e, algumas vezes, desaparece totalmente  (...)"

Devido à sua patologia, vive por vontade própria, a mais de 30 anos, em uma clinica psiquiátrica nos Estados Unidos,

Como fui em um dos últimos dias da exposição, o local estava lotado, e os seguranças das salas não nos deixavam ficar muito tempo nas salas, além de você visitar os ambientes com muita gente ao redor.

A exposição tem instalações, vídeos, fotos e imagens que mostram a obra de Yayoi, além de sua história.






Sua obra, na maioria com bolas e/ou formatos fálicos, são de um encantamento para os amantes de artes visuais. Cada ambiente dá uma vontade à mais de conhecê-la e conhecer à fundo sua obra. "Obsessão infinita" está presente em todos os cantos de sua exposição, mas, para mim, fica extremamente claro na sala de espelhos (Infinity mirror room - Phalli's field), local onde se tem espelhos por toda a parede, e objetos fálicos, com textura de bolinhas, colocados no chão. Esta é uma das instalações mais concorridas, sendo permitido ficar apenas 20 segundos, contados, dentro da sala.)



O que o feminismo fez por mim!

Olá, me chamo Tamires. E não faço parte, oficialmente, do tal movimento feminista. Mas hoje posso dizer que ele fez uma grande diferença na minha vida.


Ele me ensinou a respeitar escolhas, sejam elas feitas por mulheres ou homens. Me fez ver que só você é donx de suas escolhas. Mais que isso, só você é donx do seu corpo.

O feminismo me fez parar de culpar. Me fez parar de dizer: “Que estupradas o que? Elas entraram naquele ônibus com os meninos da banda, estavam pedindo”. Me dói assumir, mas eu pensava assim.

Hoje eu sei que a culpa não é de quem entrou no ônibus, e sim de quem se achou no direito de fazer algo mesmo quando ouviu um não. De quem se achou no direito sobre o corpo e as escolhas dx outrx.

O feminismo me fez ver que você pode usar o que quiser. Seja você do tamanho que for. Da cor que for.

Fez me ver que a roupa não faz o estuprador. Que você pode estar de burca. A culpa não é sua.

O feminismo me fez repudiar comentários machistas. Me fez entender que lugar de mulher é onde ela quiser. 

Que mulher pode tudo. E que você não sabe o que a mulher quer.

Mais importante, o feminismo me deu certa confiança que não tinha. Ele me fez olhar no espelho e falar: eu sou bonita, com o meu nariz um pouco batata, com minha barriga um pouco saliente, com minhas estrias de crescimento! Eu sou bonita, moçx. Quer você queira ou não!


Ainda tenho muito que aprender. Mas Obrigada feminismo, por me fazer uma pessoa melhor!